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01/02/2016

Crônica Sala Espelhada

Categorias: crônicas

Buscar um tempo sozinha, criar um santuário, onde as minhas deusas internas possam se harmonizar. Este era o meu sonho!

Esse meu sonho nasceu quando Machado de Assis, no conto “Uma Senhora”, retrata o momento da mudança de ciclo de Dona Camila, ou seja, uma mulher que passa a ser uma senhora, ou m20160927_162042-1elhor, uma mulher madura. A cada instante que eu lia, o meu coração palpitava, mas foi exatamente neste trecho que um dos meus véus foram arrancados dos meus olhos: “Dir-me-á o leitor que a beleza vive de si mesma, e que a preocupação do calendário mostra que a senhora vivia principalmente com os olhos na opinião. É verdade; mas como quer que vivam as mulheres dos nossos tempos?”.

Nosso tempo? Machado escreveu este conto no século XIX, e por que me identifiquei com a angústia desta personagem? Justamente eu! Que possuo tantos direitos e conquistas, por quê o medo de envelhecer?

O terror instalou-se em minha mente: “QUEIMEM AS BRUXAS”.

Estava numa encruzilhada, meu destino seria desistir ou existir?

Mas novamente o imortal abriu as portas para mim e aqui estou eu na Casa Satya, situada na Rua Machado de Assis. Neste local tenho uma sala, denominada Sala Espelhada, onde posso criar projetos artísticos, organizar rodas de leitura, dançar e receber pessoas para um boa conversa sobre todos os assuntos.

Mas os leitores podem estar se perguntando, por que chama-se Sala Espelhada? Porque fiz questão de colocar um grande espelho e quando me olho sabe o que acontece? O gênio responde: “Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro… Espantem-se à vontade.” (O Espelho – M.A.)

Valéria Fazio ( atriz )